A Plasticidade do Corpo Espiritual

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Uma característica muito importante(e interessante !) do corpo espiritual é a sua plasticidade. Assim como o corpo físico é sensível aos pensamentos e sentimentos – o que pode ser atestado pelas sensações de prazer e bem-estar proporcionados por práticas como meditação e yoga, bem como pelas doenças psicossomáticas – o corpo espiritual também o é. Na verdade, podemos dizer que o corpo físico é sensível aos pensamentos e sentimentos porque o corpo espiritual o é, e não o oposto.  
Albert von Schrenck-Notzing (esquerda) e
Charles Richet
Para que possamos compreender a plasticidade do corpo espiritual, necessário se faz que tenhamos ciência da existência de fluidos sutis, sensíveis ao pensamento, que permeiam o espaço. Médiuns com a capacidade de clarividência bem desenvolvida conseguem ver tais fluidos e suas modificações plásticas, outros conseguem sentir os seus efeitos. Mas e quem não é médium ou não possuem a sensibilidade adequada para perceber, como poderia atestar a veracidade acerca da existência de tais fluidos ? Em reuniões mediúnicas onde ocorrem alguns fenômenos de efeitos físicos(como movimentos de objetos sem contato humano ou ainda materialização de Espíritos), os Espíritos costumam densificar tais fluidos, fazendo uso de fluidos extraídos dos médiuns juntamente com outros do ambiente, sendo perceptível assim o fluido esbranquiçado denominado Ectoplasma.
O Ectoplasma, fluido bastante estudado por vários pesquisadores, como Albert von Schrenck-Notzing e Charles Richet, é a base para os fenômenos espirituais de natureza física e uma de suas propriedades é justamente a plasticidade. Ernesto Bozzano, em sua obra “Pensamento e Vontade” investiga a propriedade que este fluido possui de assumir formas de acordo com a vontade mental, seja do médium vivo, seja do comunicante morto e assim se expressa:
  “Nada é tão importante para a Ciência e para Filosofia, como averiguar que a força do pensamento e a vontade são elementos plásticos e organizadores.”



Uma vez fundamentada a existência de fluidos que são sensíveis ao pensamento, podemos seguir nos aprofundando mais na propriedade ideoplástica do corpo espiritual(perispírito, psicossoma, etc.).
O corpo espiritual é definido como o envoltório sutil da Alma, ou seja da consciência, da mente, da entidade pensante. Em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec elabora as seguintes perguntas aos Espíritos que auxiliaram na codificação:

93. O Espírito propriamente dito vive a descoberto ou, como pretendem alguns, envolvidos por alguma substância?
Espírito Katie King, tornando-se visível
durante as pesquisas do cientista inglês William Crookes
 — O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.
Comentário de Kardec:  Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar períspirito.
 94. De onde tira o Espírito o seu envoltório semimaterial?
 — Do fluído universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.
 94. a) Dessa maneira, quando os Espíritos de mundos superiores vêm até nós, tomam um períspirito mais grosseiro?
 — É necessário que eles se revistam da vossa matéria, como já dissemos.
 95. O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?
 — Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele vos aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.

Essa plasticidade do corpo espiritual nos ajuda a entender várias questões que, para os que não estudam mais aprofundadamente ou simplesmente possuem interesses ideológicos, seriam contradições que inviabilizariam a existência dos Espíritos. Algumas dessas questões seriam:

  • Como Espíritos poderiam aparecer com roupas ? 
  • Como uma pessoa que morreu com alguma deficiência física, como a falta de um membro, poderia aparecer para alguém, ou mesmo materializado, com a presença desse membro ?

No capítulo 8,  em “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec tece algumas reflexões e lança perguntas aos Espíritos acerca dessa propriedade de plasticidade de alguns tipos de fluidos, é o que vemos a seguir:

126. Dissemos que os Espíritos se apresentam vestidos de túnicas, envoltos em panos flutuantes ou com as roupas comuns. Os panos flutuantes parecem ser de uso geral no mundo os Espíritos. Mas perguntam-se onde eles encontram roupas inteiramente semelhantes às que usavam em vida, com todos os acessórios do traje. É evidente que não levaram esses objetos com eles, pois que ainda se encontram conosco. De onde provém então o que eles usam no outro mundo?
Esta questão era bastante intrigante, mas para muitas pessoas não passava de simples curiosidade. Não obstante, implicava um problema de grande importância, pois sua solução nos encaminhou à descoberta de uma lei geral que igualmente se aplica ao nosso mundo corpóreo. Numerosos fatos vieram complicar o assunto e demonstrar a insuficiência das teorias aventadas.
Até certo ponto seria admissível a existência do traje porque se pode considerá-lo como de alguma maneira fazendo parte do indivíduo. Já não se dá o mesmo, porém, com os objetos acessórios. Como a tabaqueira do visitante da senhora doente de que tratamos no nº 117. Notemos que naquele caso não se tratava de um morto, mas de um vivo, e que o visitante ao voltar em pessoa tinha uma tabaqueira inteiramente igual. Onde, pois, o seu Espírito encontrara a que usava ao pé do leito da senhora doente? Poderíamos citar numerosos casos em que Espíritos de mortos ou de vivos aparecem com diversos objetos, como bengalas, armas, cachimbos, lanternas, livros,etc.
Tivemos então a ideia de que os corpos inertes poderiam possuir correspondência etéreos no mundo invisível, que a matéria condensada que forma os objetos poderia ter uma parte quintessenciada inacessível aos nossos sentidos.(1) Essa doutrina não era destituída de verossimilhança, mas não podia explicar todos os fatos. Havia um, sobretudo, que parecia desafiar todas as interpretações. Até então se tratava apenas de imagens ou aparências, e já vimos que o perispírito pode adquirir as propriedades da matéria e tornar-se tangível. Mas essa tangibilidade é passageira e os corpos sólidos se desvanecem como sombras.
Não há dúvida de que se trata de fenômeno extraordinário, mas o que o ultrapassa é a produção de matéria sólida persistente, provada por numerosos fatos autênticos, notadamente os de escrita direta de que tratemos com minúcias em capítulo especial. Entretanto, como esses fenômenos se ligam intimamente ao assunto em causa, representando uma das suas manifestações mais positivas, anteciparemos a ordem em que deviam aparecer.
127. A escrita direta ou pneumatografia é a que se produz espontaneamente, sem o concurso das mãos do médium nem do lápis.(2) Basta tomar folha de papel em branco, o que se pode fazer com todas as precauções necessárias para se prevenir qualquer fraude, dobrá-la e depositá-la em algum lugar, numa gaveta ou sobre um móvel. Se houver condições, dentro de algum tempo aparecerão traçados no papel letras os sinais diversos, palavras, frases e até mesmo comunicações. Na maioria das vezes com uma substância escura, semelhante à grafita, e de outras com lápis vermelho, tinta comum e mesmo tinta de impressão.
Eis o fato em toda a sua simplicidade e cuja reprodução, embora pouco comum, não é tão rara, pois há pessoas que a conseguem com muita facilidade. Pondo-se um lápis junto com o papel, poder-se-ia crer que o Espírito o utilizou, mas se o papel estiver só é evidente que a escrita foi produzida por matéria nele depositada. De onde o Espírito tomou essa matéria? Essa a questão a cuja solução fomos levados pela tabaqueira a que há pouco no referimos.
128. Foi o Espírito São Luís que nos deu a solução com as seguintes respostas:
1. Citamos um caso de aparição do Espírito de pessoa viva. Esse Espírito tinha uma tabaqueira e tomava pitadas. Experimentava ele a sensação que experimentamos no caso?
— Não.
2. A tabaqueira tinha a mesma forma da que ele usava habitualmente e que estava em sua casa. O que era essa tabaqueira nas mãos desse homem?
— Uma aparência. Era para ser notada, como foi, e para que a aparição não fosse tomada por alucinação produzida pelo estado de saúde da vidente. O Espírito queria que a senhora acreditasse na realidade da sua presença e tomou todas as aparências da realidade.
3. Disseste que era uma aparência, mas uma aparência nada tem de real, é como uma ilusão de óptica. Queremos saber se essa tabaqueira era uma imagem irreal ou se havia nela algo de material.
Certamente. É com a ajuda desse princípio material que o Espírito aparenta vestir-se com roupas semelhantes às que usava quando vivo.
Nota de Kardec: É evidente que devemos entender a palavra aparência no seu sentido de aspecto, de imitação. A tabaqueira real não estava com o Espírito. A que ele segurava era apenas a sua representação. Era, pois, uma aparência, em relação ao original,embora constituída por um princípio material.
A experiência nos ensina que não devemos tomar sempre ao pé da letra as expressões usadas pelos Espíritos. Interpretando-as segundo as nossas idéias, expondo-nos a grandes decepções. É por isso que precisamos aprofundar o sentido de suas palavras quando apresenta a menor ambigüidade. Essa recomendação os próprios Espíritos nos fazem constantemente. Sem a explicação que provocamos, a palavra aparência, sempre repetida nos casos semelhantes, poderia ser falsamente interpretada.(3)
4. Seria um desdobramento da matéria inerte? Haveria no mundo invisível uma matéria essencial que revestiria as formas dos objetos que vemos? Numa palavra, esses objetos teriam o seu duplo etéreo no mundo invisível, como os homens são ali representados pelos Espíritos?
— Não é assim que isso se dá.O Espírito dispõe sobre os elementos materiais dispersos por todo o espaço da vossa atmosfera, de um poder que estais longe de suspeitar. Ele pode concentrar esses elementos pela sua vontade e dar-lhe a forma aparente que convenha às suas intenções.
Nota de Kardec: Essa pergunta, como se vê, era a tradução do nosso pensamento, da idéia que havíamos formado sobre a natureza desses objetos. Se as respostas fossem, como pretendem alguns, o reflexo do pensamento do interpelante, teríamos obtido a confirmação da nossa teoria, em vez da teoria contrária.
5. Coloco de novo a questão de maneira categórica, a fim de evitar qualquer equívoco: as roupas dos espíritos são alguma coisa?
— Parece-me que a resposta precedente resolve

a questão. Não sabes que o próprio perispírito é alguma coisa?

Médium Eva C. sendo observada
por Charles Richet.
Pela imagem nota-se um fluido de natureza luminosa
6. Resulta desta explicação que os Espíritos submetem a matéria etérea às transformações que desejam. Assim, por exemplo, no caso da tabaqueira o Espírito não a encontrou feita, mas ele mesmo a produziu, quando dela necessitou, por um ato da sua vontade, e da mesma maneira a desfez. É isso mesmo que se dá com todos os outros objetos, como as roupas, as jóias, etc…?
— Mas é evidente.
7. Essa tabaqueira foi vista pela senhora como se fosse real. O Espírito poderia torná-la tangível para ela?
— Poderia.
8. Se fosse o caso, a senhora poderia pegá-la, acreditando ter nas mãos uma tabaqueira real?
— Sim.
9. Se ela abrisse, provavelmente encontraria tabaco, e se o tomasse espirraria?
— Sim.
10. Então o Espírito pode dar não somente a forma do objeto, mas também as suas propriedades especiais?
— Se o quiser. Foi em virtude desse princípio que respondi afirmativamente às perguntas anteriores. Terás provas da ação poderosa que o Espírito exerce sobre a matéria e que estás longe de supor, como já disse.
11. Suponhamos que ele quisesse fazer uma substância venenosa e que uma pessoa a tomasse. Ficaria envenenada?
— O Espírito poderia fazê-la, mas não a faria porque isso não lhe é permitido.
12. Poderia fazer uma substância salutar, apropriada à cura de uma doença, e isso já aconteceu?
— Sim, muitas vezes.
13. Poderia então, da mesma maneira, fazer uma substância alimentar? Suponhamos que fizesse uma fruta ou uma iguaria qualquer. Alguém poderia comê-la e sentir-se saciado?
— Sim, sim. Mas não procures tanto para achar o que é tão fácil de compreender. Basta um raio de sol para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros as partículas materiais que enchem o espaço no meio do qual vives. Não sabes que o ar contém vapor dágua? Condensa-os e voltarão ao estado normal. Priva-os de calor e verás que essas moléculas impalpáveis e invisíveis se transportam num corpo sólido e bem sólido. Assim muitas outras substâncias de que os químicos ainda tirarão maravilhas mais espontâneas. Mas acontece que o Espírito possui instrumentos mais perfeitos que os vossos: à vontade e a permissão de Deus.
14. Os objetos que à vontade do Espírito tornaram tangíveis poderiam permanecer nesse estado e ser usados?
— Isso poderia acontecer, mas isso não se faz porque é contrário às leis.
15. Todos os Espíritos têm no mesmo grau o poder de produzir, objetos tangíveis?
— O certo é que o Espírito, quanto mais elevado, mais facilmente o consegue, mas isso também depende das circunstâncias: os Espíritos inferiores podem ter esse poder.
16. O Espírito tem sempre consciência da maneira pela qual produz as suas roupas ou dos objetos que tornam aparentes?
— Não. Muitas vezes ajuda a formá-los por uma ação instintiva, que ele mesmo não compreende, se não estiver suficientemente esclarecido para isso.
17. Se o Espírito pode tirar do elemento universal os materiais para essas produções, dando a essas coisas uma realidade temporária, com suas propriedades, pode também tirar o necessário para escrever, o que nos daria a chave do fenômeno de escrita direta?
— Afinal, chegaste onde querias!
18. Se a matéria de que o Espírito se serve não tem persistência, como os traços da escrita direta não desaparecem?
— Não tires conclusões das palavras. Para começar, eu não disse: jamais. Tratava-se de objeto material volumoso. Nesse caso, são sinais escritos que é útil conservar e se conservam. O que eu quis dizer é que os objetos assim compostos pelo Espírito não poderiam tornar-se de uso, porque na realidade não possuem a mesma densidade material dos vossos corpos sólidos.
***
Com o exposto acima, pudemos perceber que o estado mental do Espírito é muito importante e interfere na matéria, dessa forma, se um Espírito morre com algum membro amputado, um dos tratamentos ofertados pelos amparadores espirituais é a indução mental no Espírito paciente, para que ele reconstrua o órgão que não mais existia.
Também se explica a presença de “monstros” ou entidades animalescas de regiões densas do plano espiritual(chamado também de Umbral) nos livros psicografados como em “Nosso Lar”. Nesse caso, a condição mental nociva dos Espíritos apresentados ali modificou o corpo espiritual deles, por meio da propriedade de plasticidade, o que os deixou com aparências repugnantes ou mesmo assustadoras. 
Tenhamos em mente que isso nada mais é do que a atividade mental do indivíduo agindo sobre ele mesmo. Por isso que os Espíritos dizem que cada um faz o seu “céu” ou o seu “inferno” de acordo com o seu estado interior, não existindo assim um julgamento final. O estado mental é tudo. Com o nosso estado mental podemos criar maravilhas e bem-estar, da mesma forma que o oposto.



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