A Comissão de Milão e os Estudos sobre a Médium Eusápia Paladino – Parte III

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Eusápia Paladino
Olá, amigos. Chegamos ao nosso terceiro e último post sobre a Comissão de Milão e os estudos sobre a médium Eusápia Paladino. Àqueles que ainda não viram os outros dois posts anteriores, deixamos aqui os links: Parte I e Parte II.

III – Os fenômenos precedentemente observados, na
escuridão, são obtidos, enfim, à luz, com a médium à vista 

Restava-nos, para chegar à inteira convicção, experimentar
obter os fenômenos importantes na escuridão, sem entretanto
perder de vista a médium.
Pois que a escuridão é, ao que parece, bastante favorável à
manifestação, era preciso deixar a escuridão aos fenômenos e
manter a luz para nós e para a médium. Para isso, eis como
procedemos na sessão de 6 de outubro: uma parte de um quarto
foi separada da outra por uma cortina, para que ela ficasse na
escuridão, e a médium foi colocada sentada em uma cadeira
diante da abertura da cortina, com as costas para a parte escura:
os braços, mãos, rosto e pés na parte clara do quarto.
Atrás da cortina colocou-se uma pequena cadeira, com uma
campainha, a meio metro pouco mais ou menos da cadeira da
médium, e sobre outra mais afastada foi colocado um vaso cheio
de argila úmida, perfeitamente lisa na superfície.
Na parte clara fizemos círculo ao redor da mesa, que foi
colocada diante da médium, tendo esta as mãos sempre seguras
pelos seus vizinhos, os Srs. Schiaparelli e Du Prel.
Charles Richet
O aposento estava iluminado por uma lanterna de vidros
encarnados colocada sobre outra mesa. Era a primeira vez que a
médium se submetia a essas condições.
Imediatamente os fenômenos começaram. Então, à luz de
uma vela, sem vidros encarnados, vimos a cortina enfunar-se
para o nosso lado; os vizinhos da médium, empurrando-a,
sentiram resistência; a cadeira de um deles foi puxada com
violência, sendo nela vibradas cinco pancadas, o que significava
a necessidade de diminuir a luz. Acendemos, então, a lanterna
encarnada, sem retirá-la do lugar, cobrindo-a, além disso, em
parte com um pára-luz; pouco depois, porém, tiramos o pára-luz,
tendo sido antes a lanterna colocada na mesa, em frente à
médium.
As bordas do orifício da cortina foram fixadas aos ângulos da
mesa e, a pedido da médium, redobradas por baixo da sua cabeça
e presas com alfinetes; então, sob a cabeça da médium começou
alguma coisa a aparecer, repetidas vezes. O Doutor Aksakof
levantou-se, colocou a mão na abertura da cortina, por cima da
cabeça da médium, e comunicou logo que dedos o tocavam
repetidamente; depois a sua mão foi puxada através da cortina e
por fim sentiu que lhe entregavam alguma coisa; era a pequena
cadeira, que ele segurou e que foi de novo tomada, caindo por
derradeiro no chão. Todos os assistentes puseram a mão na
abertura e sentiram o contato de mãos.
No fundo escuro dessa abertura, por cima da cabeça da
médium, os clarões azulados habituais apareceram várias vezes;
o Sr. Schiaparelli foi tocado fortemente, através da cortina, nas
costas e ao lado; a sua cabeça foi coberta e puxada para a parte
escura, enquanto com a mão esquerda segurava sempre a direita
da médium e com a mão direita segurava a esquerda do Sr. Fínzi.
Nessa posição, sentiu-se tocado por dedos quentes, viu
clarões descreverem curvas no ar e iluminando um pouco a mão
ou o corpo a que pertenciam. Depois, voltando do seu lugar, viu
que mão estranha começou a aparecer mais distintamente na
abertura, isto é, sem ser retirada com tanta rapidez.

Carl du Prel
Como a médium jamais houvesse visto semelhante coisa,
levantou a cabeça para olhar e imediatamente a mão lhe tocou o
rosto. O Sr. Du Prel, sem deixar a mão da médium, passou a
cabeça na abertura, por cima dela, e logo se sentiu tocado
fortemente em diferentes partes e por vários dedos. Entre as duas
cabeças, a mão se mostrou ainda. O Sr. Du Prel voltou ao seu
lugar e o Sr. Aksakof apresentou um lápis na abertura; o lápis foi
tomado pela mão e não caiu; pouco depois foi lançado através da
abertura sobre a mesa.
Uma vez apareceu um punho fechado sobre a cabeça da
médium; pouco depois, a mão se abriu lentamente, ficando com
os dedos separados.
É impossível contar o número de vezes que essa mão
apareceu e foi por nós tocada; basta dizer que nenhuma dúvida
se tornava possível:
Era uma verdadeira mão humana e viva que víamos e
tocávamos, ao passo que na mesma ocasião o busto e os braços
da médium ficavam visíveis e as suas mãos estavam seguras
pelos seus dois vizinhos.
No fim da sessão, o Sr. Du Prel foi o primeiro a penetrar na
parte escura e anunciou uma impressão na argila.
Com efeito, verificamos que a argila estava deformada por
profunda depressão de cinco dedos pertencentes à mão direita (o
que explicou o fato de um pedaço de argila ter sido atirado sobre
a mesa, através do orifício da cortina, no fim da sessão) prova
evidente de que não estávamos alucinados.
Esses fatos se repetiram várias vezes, sob a mesma forma ou
sob forma muito pouco diferente, nas sessões de 9, 13, 15, 17 e
18 de outubro.

Conclusão

Alexandre Aksakof
Assim, pois, todos os fenômenos maravilhosos que
observamos na escuridão completa, ou quase completa,
obtivemo-los também sem perder de vista a médium, nem um instante. Por isso, a sessão de 6 de outubro foi para nós a prova
evidente e absoluta da exatidão das nossas observações
anteriores na escuridão; foi a prova incontestável de que, para
explicar os fenômenos na completa escuridão, não é
absolutamente necessário supor uma fraude da médium, nem
uma ilusão nossa; foi para nós a prova de que esses fenômenos
podem resultar de uma causa idêntica à que os produz, quando a
médium está visível, com uma luz suficiente para se lhe verificar
a posição e os movimentos.

Publicando este curto e incompleto relatório das nossas
experiências, temos também o dever de dizer que as nossas
convicções são as seguintes: 

1°- Que, nas circunstâncias dadas, nenhum dos fenômenos
obtidos à luz mais ou menos intensa se poderia produzir com o
auxílio de um artifício qualquer;

César Lombroso
2°- Que a mesma opinião pode ser mantida em grande parte
para os fenômenos da escuridão completa.
Apenas para alguns destes podíamos admitir, a rigor, a
possibilidade de os imitar, por meio de qualquer hábil artifício da
médium; todavia, segundo o que dissemos, é evidente que esta
hipótese seria, não somente improvável, mas ainda inútil, no caso
atual, pois que, mesmo admitindo-a, o conjunto dos fatos
nitidamente provados não seria absolutamente atingido por ela.

Reconhecemos aliás que, sob o ponto de vista da ciência
exata, as nossas experiências deixam ainda a desejar, porquanto
foram empreendidas sem que pudéssemos saber do que tínhamos
necessidade, e os diversos aparelhos que empregamos foram
preparados e improvisados sob os cuidados dos Srs. Fínzi,
Gerosa e Ermácora.
Todavia, o que vimos e verificamos basta, a nosso ver, para
provar que esses fenômenos são bem dignos da atenção dos
sábios.

Consideramo-nos no dever de exprimir publicamente o nosso
reconhecimento ao Sr. Dom Ércole Chiaia, que prosseguiu
durante longos anos com tanto zelo e paciência, a despeito dos
clamores e difamações, no desenvolvimento da faculdade mediúnica dessa médium notável, chamando para ela a atenção
dos homens de estudo e não tendo em vista senão um único fim:
a vitória de uma verdade impopular.
 

Alexandre Aksakof, Diretor do jornal “Os Estudos Psíquicos”,
em Leipzig, Conselheiro de Estado de S. M. o Imperador da
Rússia.

Giovanni Schiaparelli, Diretor do Observatório Astronômico
de Milão.

Carl Du Prel, Doutor em Filosofia, de Munique.

Angelo Brofferio, Professor de Filosofia.

Giuseppe Gerosa, Professor de Física da Escola Real
Superior de Agricultura de Portici.

G. B. Ermácora, Doutor em Física.

Giorgio Fínzi, Doutor em Física.

Charles Richet, Professor da Faculdade de Medicina de Paris,
Diretor da “Revista Científica”.

César Lombroso, Professor da Faculdade de Medicina de
Turim.

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